sexta-feira, 3 de julho de 2009

O Koryu e o ocidente

Fechava as portas de meu Dojô numa sexta feira a noite, após um dia inteiro de aulas. Já do lado de fora da escola, um de meus alunos, interessado estudante de educação física, me apresentou uma situação intrigante.

Ele citou um grupo de exercícios de comunicação corporal ensinados em meu estilo. Eles existem pois a execução das técnicas durante o treinamento pode tornar-se muito rápida para que haja comunicação verbal eficiente a tempo.

É uma comunicação simples, que expressa comandos como “Pare”, apontam uma técnica bem executada ou avisam sensações de dor imediatamente. Variações destes mesmos exercícios existem em praticamente todos estilos tradicionais samurais.

Educadamente, meu aluno apontou que alguns de seus estudos acadêmicos sobre a musculatura e sistema motor humano o levaram a acreditar que alguns dos exercícios de comunicação corporal de meu estilo não são os melhores que existem para serem aplicados.

Para responder esta questão, notei que a solução deste problema reside num campo do entendimento humano diferente da educação física.

Os estilos marciais tradicionais, chamados Koryu, ou seja, que antecedem a criação dos estilos modernos, os Gendai, têm algo em comum. Eles carregam um legado cultural mais profundo do que as relações mecânicas de causa e efeito das suas técnicas de combate.

São uma lembrança viva da cultura que originou estes estilos, preservada em seus costumes, cerimônias e de que forma seus integrantes se relacionam com o próprio corpo.

Uma das grandes preocupações por parte dos mestres de um Koryu é preservar o conhecimento dos antepassados de seus estilos. Se substituíssemos seus exercícios ancestrais, por mais simples que eles sejam, por métodos modernos, o estilo desenvolvido pelos mestres ancestrais seria o mesmo?

A pergunta toma um peso ainda maior se considerarmos que esses novos exercícios pertencem a uma outra cultura. O ocidente tem uma forma de relacionar-se com o corpo diferente do oriente. Imagine então as diferenças para a cultura oriental de sete séculos atrás.

O paradigma científico-cultural do ocidente busca uma melhoria positiva de processos mecânicos. Os estudos acadêmicos no campo da educação física, por exemplo, empenham-se em desenvolver categorias de exercícios cada vez mais eficientes, que proporcionem resultados mais rápidos. O que ficou para trás está esquecido, torna-se obsoleto.

O desenvolvimento das artes marciais, em seu início, seguiu parâmetros empíricos semelhantes, no método da tentativa e erro. Técnicas eram desenvolvidas até tornarem-se satisfatórias para os mestres, outras eram incorporadas de outros estilos.

Muitas técnicas surgiram no campo de batalha, onde os guerreiros realizavam algum movimento involuntário e desconhecido, porém funcional. Após o conflito, eles isolavam-se em meditação, para recordarem-se do que fizeram e então catalogavam uma nova técnica.

Com isso, é importante notar como as artes marciais Koryu, que mantêm sua tradição, foram criadas para a sobrevivência, para a batalha verdadeira. Diferente do apelo estético que amalgamou-se ao discurso da saúde, divulgado pelos esportes ocidentais.

As artes marciais geram benefícios à saúde física, como o conhecimento ocidental mesmo aponta. Mas para as modalidades esportivas ocidentais esse é o fim a se alcançar, sem se importar com o que ficar para trás.

Já para os estilos tradicionais que sobreviveram até hoje, que são uma minoria alarmante, o maior domínio do próprio corpo é só um de dois objetivos. Os Koryu também têm de se preocupar com suas raízes – das artes marciais à filosofia, história e contexto em que foi criado o estilo.

As artes marciais Koryu são um testemunho da cultura dos antepassados, que permea muitos níveis da experiência humana, incluindo como eles ensinavam a dominar e desenvolver seus corpos, e por que.

Os estilos tradicionais guardam estas experiências, vividas geração após geração, tornando-se entidades culturais únicas, que possuem identidades próprias. Seus praticantes hoje entesouram os ensinamentos dos antepassados, reverentes à sua memória e praticando seus ensinamentos, por confiança nas vivências ancestrais de pessoas que dependiam daquilo para sobreviver. E sobreviveram.

Enfim, os comentários feitos pelo meu aluno partiram de conhecimentos gerais sobre anatomia. Existem certamente muitas pesquisas sobre as modalidades olímpicas, como o Caratê e o Judô. Mas eu desconheço algum estudo profundo sendo desenvolvido especificamente com as modalidades tradicionais, muito diferentes das olímpicas.

No Brasil, o Centro de Pesquisas em Cultura Japonesa está começando e promete muito. Entretanto, é preciso perceber que para se estudar um Koryu academicamente, não é inteligente restringir-nos à abordagem biológica e pesquisar apenas seus aspectos mecânicos. Vamos precisar de um olhar mais antropológico, para entender que o que é bom e o que é melhor são conceitos muito relativos.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Programação da 14ª Mostra de Cultura Japonesa - Bunkasai 2009

10:00 • Início do Bunka-sai 2009

11:00 • Palavras da Diretora da EMLJG – Marley Lima

11:10 • Apresentação dos alunos – Jido (Infantil)

11:15 • Apresentação de Karatê Acad. Sol Nascente

11:35 • Apresentação da turma Seijin II

11:55 • 1ª. Apresentação do Taikô

12:05 • Apresentação da turma Chukyu II Chimanchuu no Takara (canto)

12:15 • Apresentação Kotowaza – turma Seijin I B

12:35 • Apresentação Bailado - Naniwa Irohabushi

12:40 • Apresentação Bailado - Soran Bushi

12:45 • Intervalo para o Almoço

14:00 às 15:00 • Horário para as oficinas de Artes

14:00 às 15:00 • OFICINA DE KENJUTSU - AIZU MUSO RYU

14:30 • preparação para a cerimônia de homenagem

15:00 • Cerimônia – Banda da PM (hinos Brasil e Japão)

15:20 •Palavras do Presidente da ANBG – Carlos Suguri

•Palavras da Presidente EMLJG – Cecilia Saito

15:30 • Oficiais Homenageados:

- Tenente Coronel da Polícia Militar do Estado de Goiás Massatoshi Sérgio Katayama

- Tenente Coronel do Corpo de Bombeiros do Estado de Goiás Celso Ofugi

- Delegado da Polícia Civil – DEAM/GO - Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher do Estado de Goiás Aristóteles Sakai de Freitas

16:00 • Oficiais Superiores homenageados

- Dr. Ernesto Guimarães Roller - Secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás e Deputado Estadual

- Cel. Carlos Antonio Elias - Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de Goiás

- Cel. Uilson de Alcântara Manzan - Comandante Geral do Corpo de Bombeiros do Estado de Goiás

- Dr. Aredes Correia Pires - Delegado - Geral da Polícia Civil do Estado de Goiás.

16:20 • Palestra dos descendentes homenageados:

16:20-16:30 • Palestra do TC da PM do Estado de GO- Massatoshi Sergio Katayama

16:30-16:40 • Palestra do TC do Corpo de Bombeiros do Estado de GO – Celso Ofugi

16:40-16:50 • Palestra com o Delegado da DEAM/GO – Aristóteles Sakai de Freitas.

17:00 • Apresentação de rappel da PMGO

17:20 • Demonstração do BOPE - Helicóptero da PM

17:40 • Apresentação dos alunos – Peça de Teatro

18:00 • 2ª. Apresentação do Taikô

18:10 • Radio Taisou – turma Seijin I

18:25 • APRESENTAÇÃO DE KENBU - AIZU MUSO RYU

19:00 • Encerramento

sábado, 23 de maio de 2009

Curiosidade - outros nomes do Kenjutsu

Kenjutsu é o método de controlar e manejar uma espada, após ela ter sido retirada de sua bainha. É a forma samurai de se lutar com uma espada.

Durante o curso de sua história, o Kenjutsu foi chamado de vários nomes diferentes. Ele mudava de acordo com a moda da época ou a tendência filosófica e política de uma escola em particular.

Alguns nomes pelos quais o Kenjutsu já foi conhecido:

HEIHO TO - suprema arte da estratégia;
TOHO - movimento com espada, técnica;
GEKEN -uso de espada;
HYODO - caminho da lâmina sem medo, corajosa;
TOJUTSU - técnica da espada;
TACHIUCHI - luta com espadas a pé ou em pé;
KUMITACHI - lutar com espadas ou combate com espadas;
KUMIUCHI KEN - corpo a corpo com espadas;
SHINKEN SHOBU - lutar com espadas, até a morte.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Bokuto e o Kenjutsu

O Bokuto, réplica de madeira da espada samurai, o Katana, tem sua origem enraizada nos primórdios das tradições marciais japonesas.

As armas de madeira, como lanças e bastões, nunca deixaram de ser empregadas pelos guerreiros nipônicos, mesmo depois do desenvolvimento de processos metalúrgicos.

Sua utilização consolidou-se de forma definitiva com o desenvolvimento dos diversos estilos de Kenjutsu, a arte da espada japonesa. Menos dispendioso e não letal para a prática diária, o Bokuto passou a ser o instrumento de estudo e treinamento do Kenjutsu pela maioria dos estilos. Só depois de tempos praticando com o Bokuto, o aluno utilizaria o Katana.

A espada de madeira conhecida hoje, cortada e trabalhada para assemelhar-se a uma espada real, chegou a este formato após gerações de evolução.

Cada estilo desenvolveu métodos particulares de tratamento da madeira, criando modelos diferentes de desenho e produção do Bokuto. Alguns mais curvos que outros, mais leves ou pesados, de carvalho vermelho, branco ou outra madeira resistente.

É possível determinar o estilo de um praticante de Kenjutsu apenas observando seu Bokuto. O modelo mais facilmente encontrado em lojas especializadas em artigos para Kenjutsu e artes marciais foi consolidado pelos praticantes de Kendo e Aikido. Os estilos mais tradicionais utilizam modelos bem diferentes, assim como o desenvolvido pelos ancestrais do meu estilo, o Aizu Muso Ryu .

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